Entrevista João Manuel Pinto

João Manuel Pinto, enquanto jogador foi treinado por muitos dos melhores treinadores que passaram no futebol português, tenta agora a sua oportunidade como treinador. Vem conhecer as suas ideias!

Todos os que estamos familiarizados com o futebol conhecemos o João Manuel Pinto. Contudo gostaríamos de saber quem é o João fora do Futebol?

Sou uma pessoa simples, dedicado a Família e ao futebol. Gosto de estar com a minha família mais chegada e claro o futebol está sempre presente.

 

Depois de pendurar as chuteiras, sabia que queria ser treinador?

Sim, porque quando tu atinges os 30 anos pensas de maneira diferente. Começas a viver o futebol mais intensamente e com outra responsabilidade, ou seja, vês o futebol de outro prisma. Eu digo-te assim: eu, quanto jogador de futebol que passei por vários clubes, sempre me interessou o que ouvia e via, tendo a sorte de trabalhar com grandes treinadores. Quando atinges uma certa idade vais ter que decidir o que queres no futuro. Eu gosto de desafios e o meu trabalho só poderia ser dentro de campo, logo só poderia ser treinador.

 

Qual a sua grande referência como treinador? Qual o treinador que mais o marcou e porquê?

Eu tive o previlégio de ter sido treinado por grandes treinadores como Francisco Barão, Fidalgo, Abel Braga, João Alves, Bobby Robson, Mourinho como adjunto de Bobby Robson, António Oliveira, Fernando Santos, Jesualdo Ferreira, Camacho, etc. Como poderá entender seria difícil escolher um, pois, com todos eles eu aprendi muito. No entanto posso acrescentar o exemplo de Bobby Robson: era um senhor no futebol. A sua ideia de trabalho baseava-se mais em processos ofensivos e menos em processos defensivos. Para ele o facto de sofrermos 1 ou 2 golos teria como reflexo marcar 3 ou 4 golos.Digo-lhe que houve mais dois treinadores que me marcaram no meu crescimento: o mister Francisco Barão que nos meus 17 anos e como júnior convocou-me para jogar nos seniores do Oriental na 2 divisão nacional e o mister João Alves que quando chegou ao Belenenses deu-me a oportunidade de jogar, passando de não convocado a titular e a capitão de equipa.

 

Defina-nos, o que é jogar bem na sua opinião? Quais as diretrizes do seu jogar?

Jogar bem é dar um bom espectáculo. Fazer com que todos possam realizar o que foi treinado e por fim ganhar. O que é importante é que os atletas joguem felizes e que me façam feliz com a vitórias. As directrizes são acima de tudo organização, responsabilidade e paixão.

 

No início de época, como é a primeira semana de trabalhos e que objetivos pretende alcançar?

Na primeira semana vamos trabalhar e orientar a equipa para os princípios gerais da nossa maneira de jogar. Haverá novos conceitos, conhecimento do grupo e as bases mentais que os jogadores devem desenvolver. Será um novo desafio e novos processos que os jogadores vão conhecer e serão traçados objectivos da época.

 

Qual o momento do jogo em que investe mais tempo de preparação? E porquê?

O Processo ofensivo, porque primeiro é mais trabalhoso e exige de ti       como treinador e exige também aos jogadores mais trabalho. Tens de            entrar na cabeça dos teus jogadores e fazer com que consigam ter    sempre a disponibilidade e vontade de trabalhar. Isso é difícil e requer    muito trabalho pois necessitamos de estar sempre em constante aperfeiçoamento. A organização é um dos factores fundamentais.

 

Até que ponto, um princípio de jogo do seu modelo, interfere com a liberdade de decisão dos seus jogadores?

Para mim um dos aspectos que eu considero fundamental é a capacidade de leitura do jogo no momento. O jogador deve adoptar um pensamento táctico que o leve a tomar rapidamente as melhores decisões em função do momento de jogo.

 

Como trabalha a primeira fase criação?

O primeiro objectivo é organizar a equipe em largura e muita profundidade, a fim de gerar espaços para haver uma saída com a bola dominada, para posteriormente entrar numa 2ª fase. Nesta primeira fase ocorre a saída de bola, normalmente com o GR. Esta fase caracteriza-se  por um maior espaço, o que possibilita uma circulação mais controlada, com maior domínio de ações. É comum ter superioridade numérica nesta fase, assim, é necessário saber aproveitar isso gerando linhas sempre disponíveis de passe em relação ao jogador que tem a bola. Todos os jogadores são linhas de passe, porém, existem linhas mais seguras que outras, e estas eu chamo de linhas fundamentais para a    circulação.

 

Como ex-defesa central, dá mais importância a este sector? Quais as principais dicas que transmite a um defesa central, como base na sua experiência?

Sim, claro pois é a base de toda uma equipa, juntamente, com o guarda- redes. Pois quando tens uma defesa muito bem estruturada, esta será a base do sucesso de toda a equipa. Os meus centrais deverão ter algumas características importantes: qualidades tácticas, qualidades técnicas e personalidade. É um processo simples que terei que fazer para que ele seja mais forte e mais preparado. Quanto mais informação ele tiver, mais preparado vai estar, ou seja, o meu defesa central terá que ter uma personalidade forte, ser um condutor líder, ser organizado, disciplinado, responsável e o mais importante, mentalidade “assassina”.

 

Costuma fazer exercícios 11x0, ou sem oposição? Se sim, que ganhos pretende alcançar com este tipo de exercícios?

Eu trabalho os meus jogadores muito próximo do real, o mais próximo possível daquilo que se espera que venha a ser o jogo. Por isso, quando trabalho a finalização ou outro comportamento dos meus jogadores coloco-lhes oposição porque é isso que acontece no jogo.

 

Costuma padronizar algum movimento / movimentações, em que fase /fases?

Sim existem certos exercícios que são padronizados. No entanto, previamente, tenho que fazer uma avaliação da minha equipa para perceber até que ponto a equipa consegue corresponder. Paralelamente a isto tenho que avaliar a equipa adversária para saber quais os exercícios padronizados que devo aplicar.

 

Quais as grandes diferenças em termos de treino que encontra presentemente e quando jogava?

O futebol do meu tempo ao de hoje está muito diferente para melhor, pois o futebol de hoje é muito táctico e com grande intensidade, em que hoje tu trabalhas todos os sectores, fase defensiva fase ofensiva. Hoje tu tens meios que te ajudam muito na evolução dos teus jogadores o que, antigamente, não havia. Hoje existe uma mentalidade nova em que tu tens que trabalhar a construção da equipa, desde o modelo de jogo o modelo de treino o modelo de jogador etc….para mim a forma de um jogador é muito mais do que física, o importante é a forma desportiva global, que para mim inclui aspectos físicos, técnicos, psicológicos, etc…que o meu jogador participe na organização regular do jogo da equipa.

 

Onde se vê daqui a 5 anos? Quais os seus planos?

Seguramente, será ligado ao Futebol e como sou ambicioso espero estar num clube de liga profissional.

 

Qual a sua opinião sobre os treinadores Portugueses?

Somos os melhores do mundo, Temos vários treinadores a trabalharem pelo mundo fora e os resultados estão a vista.

 

 Que opinião tem da WICOACH?

Na minha opinião há cada vez mais razão para partilharmos o conhecimento e as nossas experiencias.Alargar visões, partilhar conhecimentos deve ser visto como um dever de cidadania que nos cabe a todos.Wicoach serve precisamente para isso. Ajuda-nos a perceber outras realidades e mentalidades, possibilita alargar a nossa visão.Acho que a partilha de conhecimento ajuda na prosperarão e na oportunidade.Wicoach é verdadeiramente interessante e uma ideia empreendedora.

Agradecemos muito a sua disponibilidade de partilhar as suas ideias e conhecimentos connosco.

 

 

 

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