O Papel da observação de adversários no treino

Actualmente muito se tem falado no scouting de adversários. 

Qual a finalidade do conhecimento da própria equipa e da equipa adversária? Será este conhecimento suficiente para ultrapassar o adversário? Será que informar os jogadores dos pontos fortes e fracos é suficiente para ganhar ao adversário?Existem treinadores que defendem que se deve jogar sempre da mesma forma seja qual for o adversário, outros mantêm o seu modelo de jogo alterando apenas alguns movimentos de forma a superar os pontos fracos e a minimizar os pontos fortes do adversário. Por fim existem treinadores que alteram constantemente a sua forma de jogar consoante o adversário.


Sabe-se, entretanto, que um modelo de jogo de uma equipa é muito difícil de cimentar uma vez que é preciso tempo para trabalhar todos os movimentos, todas as coordenações entre um equipa.

Sendo assim, depois de um modelo de jogo estar mais ou menos bem adquirido (um modelo de jogo nunca está acabado) existe uma melhor coordenação por parte da equipa, que pode desaparecer quando se altera o sistema ou o próprio modelo de jogo.

A observação do adversário tem como objectivo conhecê-lo, de forma anular os pontos fortes deste e tirar proveito dos pontos fracos e assim alcançar o objectivo principal, ganhar.

Como se percebe, é impensável alterar um modelo de jogo constantemente uma vez que se perde todas as coordenações e ligações entre os jogadores que tanto tempo levam para se consolidarem. Neste sentido, parece evidente que ao defrontar um adversário não se deve aniquilar os processos da equipa já previamente trabalhados, mas sim alterar alguns movimentos da mesma.

Nesta lógica, assume total importância o treino. É no treino que devem ser produzidos exercícios para conseguir o objectivo de ultrapassar o adversário. O treino deverá traduzir uma simplificação da realidade do jogo que se quer para defrontar o adversário, ou seja, os exercícios devem ter em conta a estratégia e os movimentos que a equipa deve fazer para tirar partido dos pontos fracos e anular os pontos fortes do adversário. Acrescentando ainda que se potencialize as caraterísticas dos nossos jogadores consoante o modelo de jogo da equipa.

Assim, uma vez que os exercícios melhoram a relação interpessoal, as coordenações entre os jogadores e aquilo que se pretende para o jogo, é impensável querer que a equipa jogue um futebol mais vertical e em profundidade se durante o treino o treinador realiza exercícios para trabalhar a circulação lateralizada.

É preponderante que o observador e o treinador consigam coordenar bem o seu trabalho, para que possam relacionar da melhor forma as observações efectuadas pelo observador e os exercícios que são realizados pelo treinador durante a preparação do jogo. A verdade é que um observador pode ser o melhor do mundo mas se o treinador não conseguir aplicar o que obteve da observação do adversário durante o treino não vai retirar nenhuma vantagem.

Tiago Patita, 2014

 

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