Insónias Futebolísticas

“Gosto de ser genérico. No futebol, tens de tratar de entender os momentos do jogo e dar as soluções que o momento do jogo precisa. Às vezes tens espaço, às vezes não tens, tens que o procurar. Ao fim ao cabo queremos tudo. Ser capazes de entender bem cada momento e dar respostas a esse momento. Sabendo, efectivamente, que queremos ter bola, queremos ser protagonistas. Sabemos que às vezes não vamos conseguir e teremos de dominar outros aspetos do jogo. Isso é muito importante.” Julen Lopetegui

 

São noites, não tão raras quanto isso, que nos pregam partidas. Insónias persistentes, que nos obrigam a sonhar acordados.

Quero tudo. Inspirado nas palavras de Lopetegui começo a viagem.

Quero liderar, criar, construir. Imaginar, guiar, exigir...

Quero bola, quero muita posse de bola. Quero atacar com ela, defender com ela, descansar com ela, acelerar com ela. Quero paixão, desejo, uma quase obsessão pela bola que se traduza na vontade de a tratar bem.

Quero que a façam andar, que a façam suar, a ela e a eles que correm atrás dela.

Quero tudo.

Um jogo apoiado, baseado no passe curto. Risco assente no desejo de mandar, de jogar mais, de tocar mais, de criar mais...

Quero centrais que progridam com bola, que entreguem, que metam aquele passe interior que me faz cerrar o punho, num ato de conquista. Quero que entendam o espaço e o momento. Quero saídas em construção a 2, a 3 e a 4. Quero amplitude, campo grande e muita gente dentro. Quero apoios frontais em profundidade, opções em largura, linhas que garantam segurança e pausa!

Pausa! Quero muita pausa, aquela que dá sono a muitos. Aquele gerir de ritmos, com bola, claro.

Quero baixinhos ou altos, gordos ou magros. Quero pensadores, quero futebolistas!

Quero atrair para libertar, conquistar espaços e criar espaços. Circulando, com velocidade e intensidade, com coberturas ofensivas e sempre em equilíbrio.

Quero mobilidade! Uma mobilidade estudada, pensada, por cada um. Quero comunicação através da ação.

É muito? Ainda não. Quero mais!

Quero recuperar onde perdi, porque a fome é muita e quero voltar a atacar. Se não der, quero ordem e inteligência. Ocupar bem os espaços, quero zona!

Não uma zona qualquer, quero condicionar, orientar, pressionar. Quero uma zona pressionante! Uma rede coordenada, que controle espaços à largura e à profundidade...capaz de pressionar a campo inteiro... porquê? Porque quero bola e quero-a rápido. Se há coisa que não quero é perder muito tempo de jogo a defender, sem ela.

Contenção, coberturas, equilíbrios...concentração.

Quero tudo!

O sono apareceu...ou não. Também quero saber contra-atacar, criatividade e assertividade na resolução de situações de superioridade numérica.  Um belo de um contra golpe, como diz o mestre JJ, também dá muito gosto.

Ter tudo é utópico? Talvez seja...por enquanto posso e quero ter tudo.

Um tudo relativo e já bastante seletivo. Continua a ser muito e a insónia não dá para mais...

Outro dia talvez.  

 

 

 

 

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Sobre Bruno Fidalgo

Bruno Fidalgo

"Gosto de ser genérico. No futebol, tens de tratar de entender os momentos do jogo e dar as soluções que o momento do jogo precisa. Às vezes tens espaço, às vezes não tens, tens que o procurar. Ao fim ao cabo queremos tudo. Ser capazes de entender bem cada momento e dar respostas a esse momento. Sabendo, efectivamente, que queremos ter bola, queremos ser protagonistas. Sabemos que às...

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