2017-05-15 22:03:08

Nuno sim ou não? Eu voto não

O contrário de Nuno Espírito Santo traria mais benefícios ao F.C.Porto

A saída de Nuno Espírito Santo no final da época seria a melhor solução para o F.C.Porto. É lógico que uma afirmação destas carece de algum contexto. Implica percepção de objectivos, implica custos, e implica também saber se a manutenção do técnico é um mal menor quando comparada com a sua substituição. É tudo muito relativo.

Agora, não é nada relativo constatar-se que a época do F.C.Porto ficou aquém das expectativas. Isso é inequívoco. E até podia ser relativo. E também não é por esse motivo que eu defendo a saída de Nuno Espírito Santo. Defendo a saída de Nuno porque entendo que o seu contrário traz mais benefícios. O seu contrário, na minha opinião, pode ser Bobby Robson. O técnico inglês esteve aos comandos do F.C.Porto de 1993 a 1996. Futebol bonito, versátil e criativo. Cinco avançados em campo se assim fosse preciso. Era um treinador tremendamente ofensivo, sem medo do risco, e teve alguns dissabores à custa disso. Podia ter sido mais “resultadista”, mais prudente.

 Lembro-me, por exemplo, dos quartos-de-final da Taça das Taças de 1994/1995, em que o Porto dominou a Sampdória (uma das mais fortes equipas italianas da altura) durante grande parte da primeira mão, em Génova. Acabaria por perder a eliminatória no Porto pelo facto de Robson ter insistido num futebol de ataque e destemido, deixando de lado a na altura mais prudente rotação da equipa. E o Porto foi eliminado, e caso não o tivesse sido, até tinha boas hipóteses de ter conquistado o troféu.

 Se Bobby Robson era imprudente, Nuno é cauteloso demais. Bobby Robson conquistou dois campeonatos a jogar “à tolo” (passe o termo e o exagero). Nuno ficou a zero com um bom plantel. De facto, Nuno é meticuloso na construção de um sistema que torna a sua equipa difícil de ultrapassar pelos adversários. Na sua óptica, quanto menos tempo o F.C.Porto estiver sem sofrer golos, mais próximo está de levar de vencida o adversário. Não aproveitou o talento de Óliver que, em zonas de criatividade, é letal na decisão e no desenho da finalização. Como aconteceu no empate caseiro frente ao Vitória de Setúbal, por exemplo. Um mau Óliver é melhor que um Óliver no banco. Se queria mais critério na construção do jogo ofensivo, os centrais tinham de construir mais. Os centrais do Porto são de qualidade, é um facto, mas precisam de ter características diferentes ou então de apresentar uma maior ofensividade. Como o Benfica, que tem em Lindelof um dos principais balanceadores do início do seu jogo ofensivo.

 Mas, da minha parte, há mais críticas: Danilo tinha de pegar no jogo mais à frente, ou então arranjar-se uma alternativa para ser Rúben Neves o detentor referência da posição seis. E Diogo Jota não pode passar tanto tempo no banco, ele que foi a grande surpresa da época na forma como conseguiu acrescentar o colorido necessário à insípida e repetitiva frente de ataque. Que muitas vezes só foi procurada em profundidade, apelando-se a longas e longas correrias.

 Mas nem tudo tem sido mau em Nuno. Não gerou nenhuma catástrofe táctica e até registou partidas de mérito. Curiosamente, até nesse aspecto vai um pouco a remar em sentido inverso daquilo que deveria ser: talvez os melhores jogos da época tenham sido frente ao Benfica quando se calhar tinha sido preferível jogar-se mal contra o rival e ser dominador frente aos restantes adversários. Em termos de ideia de jogo, a equipa mais próxima do Porto tem de ser o Benfica e vice-versa.

 O Benfica atropelou o Guimarães e conquistou o título. Não há uma diferença assim tão substancial de valor entre ambas as equipas. Não há. No entanto, o factor ansiedade e um estádio inteiro a puxar pelo tetra tornou as coisas fáceis. E Raúl Jimenez é, na minha opinião, um avançado de grande qualidade, que até é prejudicado pelo facto de ter como concorrente directo o grego Mitroglou. Mas, lá está, numa perspectiva de ataque continuado, numa perspectiva de contexto do campeonato português, convém mais ao Benfica o grego ser o titular. Agora, que Jimenez faz a diferença pela mobilidade que oferece à frente de ataque, lá isso faz. Indo atrás, veja-se a forma como, por exemplo, Jiménez foi determinante na eliminatória da Liga dos Campeões frente ao Zenit, na Rússia.

 O Sporting já não tem nada a escrever este ano, mas pode ter para a próxima. Duas contratações que me parecem oportunas. Desde logo ao nível dos laterais, sector onde os leões apresentaram as suas maiores debilidades esta temporada. Não é fácil encontrar-se um lateral à medida de Jorge Jesus. Por isso, o Sporting quer Coentrão e por isso contratou Piccini. Ou seja, laterais completos, que combinam perspicácia defensiva com agressividade ofensiva. A tal agressividade que faltou a um Sporting que vai contratar um dos melhores médios do campeonato português: Mattheus vem do Estoril com critério e inteligência no passe e muita perícia ao nível das bolas paradas. Como aconteceu há duas semanas frente ao Chaves, quando decidiu a partida através de livre directo. Um Estoril que tem Kléber, de quem se fala poder estar a caminho do Benfica. Eu considero-o um fora de série que infelizmente já não poderá desempenhar esse papel. Mas talento e muita capacidade ninguém lhe tira. O Kléber dos tempos do Marítimo foi do melhor que já se viu em Portugal nos últimos anos. De ficar com a boca aberta com tanta qualidade!

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Sobre Gil Nunes

Gil Nunes

- Colaborador Desportivo Permanente na Imprensa Russa - Championat, Sport Express, Eurosport - Comentador Desportivo Semanal(6ª feira) na Regiões TV; - Comentador Desportivo Semanal nos jornais Gaia Semanário/Notícias de Esposende;     Colaborações passadas: Colunista semanal jornal "O Jogo"; jornal "Academia de Talentos"; jornal...

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