2017-03-02 12:27:54

William Carvalho regressou às origens

Frente ao Estoril, William Carvalho pisou zonas mais adiantadas

Não diria que William Carvalho voltou às origens, mas sem dúvida que voltou a um lugar que conhece bem desde as camadas jovens. Falo da posição “8”. A tal posição em que se pode estender um pouco mais no terreno, tendo a cobertura adequada na sua retaguarda. Assim aconteceu frente ao Estoril. Um regresso às origens que fez com que William estivesse muitas das vezes adiantado no terreno, quase próximo da linha avançada e com missões para condicionar a construção de jogo do adversário.

 Aliás, a própria propensão de William para jogar subido e a sua capacidade técnica fazem perceber que a sua chegada à posição de médio defensivo fez parte de um trabalho progressivo de adaptação. Beneficiou com isso o Sporting, que facilmente desbloqueou o Estoril em sua casa. Os leões continuam com um colectivo forte e com uma mobilidade ofensiva que se vai estabilizando, sobretudo pelo crescimento de Bas Dost enquanto avançado “global”. Desperdícios à parte, o holandês vai encarnando aquilo que Jesus pede, até na relação com os médios e na definição da profundidade necessária. Para a equipa bater longo quando tiver que bater longo e ter um avançado que dê respostas a esse nível. E uma equipa verde-e-branca que está em crescimento e vai disfarçando algumas lacunas que possui ao nível dos laterais, se bem que Schelotto se afigure cada vez mais como menos culpado e como um jogador de alcance bastante largo.

 Já o Porto fez regressar Óliver ao onze, e com isso a equipa cresceu. Eu discordo daqueles que dizem que o espanhol não é o mesmo que era nos tempos de Lopetegui, aquando da sua primeira passagem pelos dragões. Porque são duas equipas completamente diferentes. O Porto de Lopetegui era dominador, privilegiava a posse de bola e o controlo obsessivo do jogo, e tinha como ponto mais débil a cristalização e repetição do seu jogo pelas alas; já este Porto gosta de partidas desequilibradas, com forte reacção à perda e espaço a rodos concedido pelos adversários; frente a equipas de bloco baixo, o Porto sente dificuldades. E aí não encaixa tanto Óliver, que fruto das suas características é jogador de posse e de domínio do jogo. E menos de futebol partido. Mais de Lopetegui e menos de Nuno.

 Frente ao Boavista, os dragões não quiseram repetir o problema vivenciado frente ao Tondela. Brahimi e Corona no onze para dar largura ao jogo, e com isso desmantelar o adversário e ser dominador. Um avançado fixo na área, libertando espaço para o médio ser mais criativo. André Silva foi o sacrificado. E nesse contexto cresceu Óliver. Mesmo em má forma, conseguiu construir um golo através de um passe só ao alcance de poucos jogadores. Ou seja, o lampejo de talento valeu mais que a exibição global. Com isso beneficiou o Porto, mesmo deixando mais espaço à retaguarda e continuando a permitir muitas linhas de tiro ao adversário.

 E Mitroglou é destaque no Benfica. Não admira. O grego é um jogador de grande qualidade, e não só a finalizar. As estatísticas dizem isso. Segundo o Instat, o grego teve uma percentagem de 94% de passes acertados frente ao Desportivo de Chaves. Uma percentagem muito alta, que traduz uma abrangência muito grande de jogo e não só a visão do “alto e tosco” que aparece a finalizar. Aliás, o bom rendimento do grego é de tal forma evidente que mesmo a selecção da Grécia, nalguns lances, já aproveitou parte do desenho das jogadas ofensivas dos encarnados.

 Um Benfica que, mesmo não tendo feito um grande jogo frente ao Estoril, vai sabendo viver com e sem Jonas. O brasileiro põe o futebol dos encarnados noutro nível mas não tem tido uma presença constante. O sérvio Zivkovic tem mostrado ser uma boa solução. Mostra-se importante na forma como se mostra individualmente mas, sobretudo, na forma como realiza movimentos em diagonal que fazem os laterais subir e desequilibrar. Porque o Benfica é uma equipa que procura muito os corredores e tem nos laterais jogadores absolutamente decisivos. Contratação acertada a de Filipe Augusto, que possibilita a Pizzi a recuperação de alguma frescura física. Os encarnados também nem sempre podem contar Fejsa. Mas têm na mobilidade ofensiva um trunfo para condicionar o adversário e fazer com que a eficácia nas transições defensivas seja obtida de forma indirecta. Indirectamente eficaz. E o mérito dos encarnados vai mesmo nesse sentido: arranjando soluções para os seus problemas, preferindo os pequenos problemas aos de maior dimensão. É um Benfica líder porque perceber as suas prioridades.

 

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Sobre Gil Nunes

Gil Nunes

- Colaborador Desportivo Permanente na Imprensa Russa - Championat, Sport Express, Eurosport - Comentador Desportivo Semanal(6ª feira) na Regiões TV; - Comentador Desportivo Semanal nos jornais Gaia Semanário/Notícias de Esposende;     Colaborações passadas: Colunista semanal jornal "O Jogo"; jornal "Academia de Talentos"; jornal...

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