2016-03-22 17:10:56

Jonas resolve

Frente ao Boavista, o Benfica realizou uma das exibições mais débeis dos últimos tempos

Foi o factor Jonas. Foi ele que começou e desenhou a jogada que deu o triunfo ao Benfica no Bessa. Jonas não é Messi, mas desequilibra na forma como interpreta os ritmos de jogo e sabe descobrir os espaços certos. A jogada do golo já foi delineada pelo Benfica vezes sem conta- geralmente com Mitroglou a assistir em vez de Carcela. Mas foi na cabeça de Jonas a quem ela apareceu desenhada antes de desenhada na cabeça de todos os outros. Nesta jogada, destaque também para a movimentação de Jimenez para o flanco, libertando espaço para o brasileiro finalizar dentro da área. Golo formoso em Benfica que não foi seguro.

O Benfica não fez um grande jogo. Aliás, terá inclusivamente feito o jogo mais fraco dos últimos tempos. Mérito para o Boavista, que apareceu em campo com um miolo muito povoado, destacando-se um trio sempre pressionando o meio-campo defensivo encarnado. Viu-se na segunda parte: várias jogadas “enviadas” para o lado direito do ataque axadrezado, onde as dobras não surgiam e deixavam muito espaço para a circulação de bola. Falando da bola, o Benfica de bola nos pés foi atabalhoado em posse, deixando o adversário sair em transição e criar muitas situações de superioridade numérica. Faltou Fejsa, sobretudo. Faltou Gaitán no desequilíbrio pelo meio, faltou Mitroglou no jogo directo e no apoio frontal. O Benfica foi mais débil. O mesmo Benfica que não se pode queixar do sorteio da Liga dos Campeões: é a tal história. O Bayern é superior. E ponto. Mas os pontos fortes do Benfica – mobilidade ofensiva – encaixam na perfeição no ponto fraco do Bayern – erros defensivos em catadupa. Ou seja,  não será de todo irrealista o Benfica conseguir eliminar o Bayern.

Em crescimento está o F.C.Porto. Pequeno mas sustentado. Com Sérgio Oliveira e Danilo Pereira em campo, os dragões dão corpo a um pequeno segmento que levou Portugal à final do Mundial de sub-20 em 2011. É claro que a situação e a disposição dos jogadores é diferente. A questão coloca-se: o que pode valer Sérgio Oliveira? Para mim, trata-se de um jogador que cresceu como trinco, com um grande potencial em termos técnicos, capacidade ao nível do passe longo e da criação de rupturas.  Acrescenta também os chamados “lançamentos triplos”: para esse aspecto do jogo o Benfica tem Talisca, o Sporting tem Bruno César e o Porto tinha algumas carências. Em face da pouca predisposição do Setúbal em ligar defesa e meio-campo, a presença de Sérgio Oliveira permitiu dar vida a esse espaço perdido. Com Herrera preocupado em fazer ligar o jogo dos alas, o Porto nem fez um mau jogo. Cresceu. Neste jogo, sempre com uma premissa: evitar que o jogo se partisse frente a uma equipa que, até ao final da primeira volta, tinha a forma de atacar mais perigosa de todo o campeonato. Nesta fase, não sofrer golos é uma boa conquista para os dragões que se vão solidificando.

Já o Sporting teve um jogo fácil. A aposta em Bruno César para a posição de lateral-esquerdo surpreendeu mas não deixou de ser uma boa estratégia: conseguiu, quase que de forma automática, refrear os ímpetos do adversário por aquele flanco. Com o regresso de Adrien, a equipa passou a recuperar a bola mais à frente, estagnando-se com isso um adversário que é perigoso em termos de transição rápida. Com um bom aproveitamento em termos de bolas paradas, o Sporting voltou ao 4x4x2 com Teo Gutierrez novamente em evidência.

Mas o colombiano não é nenhum prodígio nem tão pouco concorre a melhor jogador do campeonato. Para esse título aparece João Mário: é notável a forma como equilibra a equipa no desdobramento entre ala e miolo, alimentando todo o jogo como se o desenhasse na cabeça segundos antes. Tal como Jonas, João Mário parece também padecer do “síndrome de Lucho González”

João Mário estará, por certo, presente no euro-2016. E começa o fim de semana das selecções. Na portuguesa, o primeiro teste chama-se Bulgária e, sobretudo, o desafio chama-se cimentação de rotinas. A grande novidade prende-se com a convocação de Renato Sanches: o centrocampista benfiquista tem uma capacidade física impressionante e, melhorando alguns aspectos(sobretudo em termos de transição defensiva), pode entrar de caras nos eleitos. Onde também vai entrar o “patinho feio” Éder. Muito se fala da sua razia de golos. É verdade, Éder não é Van Basten. Agora veja-se o que fez frente a Arménia no Algarve(onde foi fundamental ao fixar a defesa adversária) e, sobretudo, frente á Albânia em Tirana. No lance do golo, os albaneses deixaram Veloso completamente solto na primeira área. Porquê? Porque era preciso marcar o Éder, entrado minutos antes. E nem sempre o futebol se faz de estatísticas e de folhas de excel!

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Sobre Gil Nunes

Gil Nunes

- Colaborador Desportivo Permanente na Imprensa Russa - Championat, Sport Express, Eurosport - Comentador Desportivo Semanal(6ª feira) na Regiões TV; - Comentador Desportivo Semanal nos jornais Gaia Semanário/Notícias de Esposende;     Colaborações passadas: Colunista semanal jornal "O Jogo"; jornal "Academia de Talentos"; jornal...

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